22 de fev. de 2019

PROTEÇÃO DE NASCENTES NAS PROPRIEDADES RURAIS DO BRASIL

O Censo Agro 2017 demonstra que há maior proteção às nascentes em propriedades rurais no Brasil. O produtor rural brasileiro produz, efetivamente, cada vez mais preservando o meio ambiente. Em 2006, 51,09% dos municípios avaliados possuíam entre 80% e 100% de propriedades rurais com nascentes protegidas em relação ao número total de propriedades com nascentes no município. Em 2017, este percentual avançou para 67,68% dos municípios, uma majoração de 32,47% no período entre Censos; em 2006, 76,73% das nascentes em propriedades rurais eram protegidas por matas, percentual que passou para 85,15% em 2017, aumento de 10,97%, como demonstrado nos mapas abaixo. Fonte dos mapas: IBGE / Caderno Temático Geografias da Agropecuária Brasileira – Uma Visão Territorial dos Resultados Preliminares do Censo Agropecuário 2017, do Atlas Nacional Digital 2018.



6 de jul. de 2018

OS 17 ODS - OBJETIVOS DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL / AGENDA 2030 DA ONU


Entendendo que as ações adotadas pelos países em relação à sustentabilidade do planeta devem ser conectadas e seguir em um caminho único, ou ao menos paralelo, a  ONU – Organização das Nações Unidas estabeleceu em 2015 uma agenda global para direcionar a construção e implementação de políticas públicas até 2030 que proporcionem o aprimoramento da qualidade de vida da população.
A Agenda 2030, como tornou-se conhecida, é constituída por 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), decompostos em 169 metas. Importa ressaltar que, quando são estabelecidos objetivos e metas é possível mensurar os resultados de modo parcial e integral e, de acordo com uma das principais premissas da Qualidade Total, “o que é medido é gerenciado”. Este objetivos estão assim divididos:


Nesta edição serão apresentados os principais dados do ODS 6 – Água Potável e Saneamento, apresentando os demais em futuras edições.

Uma das principais necessidades da elaboração da Agenda 2030 foi a previsão da ONU de que, neste ano, deva haver uma demanda aproximadamente 50% superior ao nível atual do consumo mundial de água. Isto em um mundo onde, atualmente, 500 milhões de pessoas, cerca de 6,57% da população mundial atual, estimada pela ONU em 7,6 bilhões de pessoas, estão estabelecidas em regiões onde a capacidade de abastecimento dos recursos hídricos é menor que o consumo de água e dois terços da população mundial, aproximadamente 5,06 bilhões de pessoas, reside em áreas onde, ao menos durante um mês por ano, há restrições no abastecimento de água.
De acordo com a OMS – Organização Mundial de Saúde / UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância (2017), cerca de 2,1 bilhões de pessoas não possuem acesso à água potável em suas residências. Aproximadamente 4,5 bilhões de pessoas (59,21% da população) não possui acesso a saneamento básico adequadamente seguro e ainda, 892 milhões de habitantes defecam a céu aberto. Neste sentido, observa-se que 88% das mortes por doenças diarreicas agudas ocorrem por falta de condições de higiene, saneamento adequado e abastecimento de água potável. Essas condições são mais acentuadas na região da África Subsaariana e em partes do Sudeste Asiático.
Segundo a EMBRAPA (2016), a América Latina é a região do mundo com maior disponibilidade de água potável em seus territórios, contudo, ainda assim, 34 milhões de habitantes desta região (5,34% da população da região) não possui acesso permanente à água potável. Isto ocorre, principalmente, porque as maiores concentrações de água potável estão localizadas em regiões com pouca densidade populacional.
Observa-se ainda que existem regiões áridas e semiáridas, especialmente no Nordeste brasileiro, onde há escassez de recursos hídricos, quadro agravado pelas condições econômicas e sociais locais.
Atualmente, segundo dados do Ministério das Cidades, através de seu Snis- Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, a água potável está acessível à cerca de 83,3% da população brasileira. Ressalta-se entretanto, que o percentual restante, aproximadamente 16,7% , representa um universo de aproximadamente 35 milhões de pessoas sem acesso à água tratada para o consumo.
O Brasil possui recursos hídricos em grande quantidade em seu território. De acordo com a ANA – Agência Nacional de Águas, em seu relatório Conjuntura dos Recursos Hídricos 2017, o escoamento superficial no Brasil é de cerca de 260.000 m³/s (vazão média), concentrando-se, entretanto, em aproximadamente 80% na Região da Amazônia Legal. Desta vazão total, todavia, apenas cerca de 30,23%, aproximadamente 78.600 m³/s correspondem à disponibilidade hídrica superficial (estimativa de quantidade de água ofertável para os diversos usos, que, para os objetivos de seu gerenciamento, considera um nível determinado como garantia [ANA – Agência Nacional de Águas, 2017]). Mais uma vez, entretanto, há o predomínio da Região Amazônica, cuja bacia detém cerca de 83,48% do total da   disponibilidade hídrica brasileira, o que representa aproximadamente 65.617 m³/s.
Disponibilidade hídrica por bacia hidrográfica. Fonte: ANA – Agência Nacional de Águas (2017).



Uma importante observação que se faz é em relação aos reservatórios artificiais, que potencializam sobremaneira a disponibilidade hídrica superficial. Uma de suas importantes funções é a regularização do fluxo hídrico, diminuindo as oscilações sazonais das vazões. Deste modo, armazena água nos períodos chuvosos, evitando sua vazão desordenada, liberando-a, gradativamente, nos períodos de estiagens, onde haveria menor fluxo hídrico. Em 2016, eram 19.361 reservatórios mapeados pela ANA, com grande relevância para o país.


Por ser um país de dimensões continentais, o Brasil possui uma grande variação em sua pluviometria, na região semiárida do Nordeste o total anual é de aproximadamente 500 mm, enquanto na região Amazônica este total é de mais de 3.000 mm anuais. Na média, o Brasil tem uma precipitação de 1.760 mm. (1 mm de chuva é o equivalente à altura [nível da água] de 1 litro de água distribuído em 1 m²).



Ciclo hidrológico brasileiro – De acordo com dados do SNIRH – Sistema Nacional de Informações de Recursos Hídricos, da ANA – Agência Nacional de Águas, a chuva é a principal fonte da entrada de água no ciclo hidrológico brasileiro, são cerca de 13,4 trilhões de m³/ano. Outros países, especialmente da Cordilheira Andina, acrescentam ao Brasil aproximadamente 3,1 trilhões de m³/ano. Entretanto, há também um volume aproximado de 900 bilhões de m³/ano de saída de água para outros países, assim como 10,2 trilhões de m³/ano relacionados à evapotranspiração. Estes valores resultam em uma vazão gerada aproximada de 6,2 trilhões de m³/ano no Brasil e em um deságue oceânico de cerca de 8,4 trilhões de m³/ano. Existe ainda, no país, uma estimativa de que as águas subterrâneas contenham 1,1 trilhão de m³/ano em armazenamento.

2 de abr. de 2018

HORTA E JARDIM: COMO PRODUZIR SOLO DE QUALIDADE / COMPOSTAGEM

A essência de um jardim ou de uma horta é a qualidade de seu solo. Não importa seu tamanho, local de implantação ou finalidade, tanto faz que seja um pequeno vaso com um tempero plantado em um apartamento ou em uma grande plantação comercial. O que vai fazer a diferença é a qualidade de seu solo. E este é um dos grandes prazeres da jardinagem/horticultura: preparar o solo. Gosto muito do prazer de pegar um solo estéril, sem vida, e transformá-lo em solo fértil, rico em vida, através da incorporação de matéria orgânica de origem vegetal somente, especialmente a serapilheira (camada superficial de solo de florestas e bosques), nela estão contidos diversos macro e microrganismos que favorecem a decomposição da matéria orgânica, fazendo com que esta se transforme em minerais, absorvidos pelas plantas como seus nutrientes.

Acredito que um dos fatores mais importantes, especialmente para plantios domésticos (ervas, verduras, temperos), é a pureza do solo. Mesmo em escala comercial, sua pureza é essencial para a qualidade do alimento que consumimos. Ele deve estar livre de patogênicos e para isso é inadequado o uso de estercos de qualquer natureza. Um solo de excelente qualidade pode ser produzido apenas com restos vegetais, de diferentes modos e em diversas escalas, tanto em um pequeno apartamento quanto em uma casa, sítio ou fazenda.
Para se ter um solo de qualidade, com riqueza de nutrientes é necessário realizar um processo denominado compostagem, este processo é muito simples, na verdade é a reprodução do processo natural de decomposição de restos vegetais. Pense naquela folha caindo de uma árvore e pousando ao solo, com a ação do tempo, do ar, da chuva e dos macro e microrganismos ela irá se decompor, transformando-se em nutrientes para as plantas, possivelmente até para a própria planta ou árvore de onde ela saiu. Assim é a compostagem. O processo de compostagem será sempre o mesmo, não importa a escala, apenas você terá mais ou menos composto pronto em função de seu espaço disponível. O processo é bem simples e vou dividi-lo em duas formas possíveis, em recipientes ou em área aberta:

Compostagem em recipientes de qualquer tamanho:

> Separe um recipiente, que pode ser desde uma garrafa PET a até um tambor grande, caixa d’água usada, baldes, etc... depende do material que houver disponível.


> Faça um furo pequeno para o escorrimento do chorume na parte inferior do recipiente e furos laterais para a aeração do material compostado.

> Coloque uma camada de terra no recipiente de maneira que o fundo fique totalmente preenchido com uma camada de aproximadamente três centímetros de terra.

> Junte restos vegetais e de alimentos que não contenham sal (não servem os restos dos pratos após as refeições e nem carnes de nenhuma espécie), podem ser utilizadas (cascas de frutas, borra de café, restos de verduras, folhas de árvores e plantas). Este material deve ser picado ou triturado, quanto menor for o seu tamanho mais rápido e melhor será o processo de compostagem.


O material, após compostado, deverá ficar com a aparência da terra da imagem acima, Na imagem ao lado demonstro como é possível se fazer compostagem até mesmo em garrafas PET, com a coleta do chorume. Importante ressaltar que este chorume pode e dever ser aproveitado para fertilização do solo, entretanto, aconselho diluir este líquido em uma proporção de 1 para 10 em água. Enfatizo que é extremamente importante que os resíduos utilizados na compostagem em recipientes sejam cortados ou triturados no menor tamanho possível, garantindo a rapidez do processo e a qualidade do composto.

Após estar pronto, este composto (com terra já incorporada) pode ser utilizado para plantar diretamente nele, ou para ser misturado com outras terras, aumentando seu volume, ou ainda ser incorporado em terras já utilizadas, melhorando sua fertilidade e condições físicas e biológicas.

Compostagem em áreas abertas:
> O processo é bastante semelhante ao anterior. Junte restos vegetais e de alimentos que não contenham sal (não servem os restos dos pratos após as refeições e nem carnes de nenhuma espécie), podem ser utilizadas (cascas de frutas, borra de café, restos de verduras, folhas de árvores e plantas). Em casas, sítios e fazendas o volume é maior, especialmente restos de capina e folhas de árvores. Este material deve ser picado ou triturado, quanto menor for o seu tamanho mais rápido e melhor será o processo de compostagem.
Quando há espaço, são diversas as possibilidades de se processar a compostagem (grandes cercados de madeira ou tela fina, box de alvenaria, sem contenção lateral, em buracos, etc...), o importante é que o processo deve ser o mesmo, alternando-se camadas de terra, com restos vegetais; em áreas abertas, com grande disponibilidade de folhas secas, capim seco e todo resto vegetal castanho (rico em carbono), pode-se proceder à compostagem sem terra nas camadas, utilizando-se as folhas secas no lugar da camada de terra, só que em maiores proporções.
Coloque uma camada de folhas secas de aproximadamente 0,4 metro e por cima uma camada de aproximadamente 15 cm de folhas verdes e restos frescos de vegetais. Podem ser sobrepostas apenas três camadas completas (material seco + material fresco) de maneira que a pilha fique com no máximo aproximadamente 1,65 metro de altura x 1,5 metro de largura x 10 metros de comprimento. Observa-se que estas são as dimensões máximas para cada pilha de compostagem, podendo ser menores em função da disponibilidade dos materiais ou ser mais de uma pilha quando houver material em abundância.
Umedeça levemente cada camada e após a montagem total das camadas umedeça levemente o material a cada semana no primeiro mês e a cada quinze dias nos dois meses seguintes, quando deverá estar pronto o composto.
O ideal é que o material seja revirado ou remexido a cada quinze dias para a aeração do composto.
É importante que o local seja sombreado e livre da chuva.

5 de fev. de 2018

RESÍDUOS SÓLIDOS – LUCRATIVIDADE PARA SOLUÇÕES AMBIENTAIS E ENERGÉTICAS.

O Gerenciamento Sustentável dos Resíduos Sólidos demanda, efetivamente, sua sustentabilidade econômica; mais que isso, deve ser lucrativo o suficiente para ser atrativo do ponto de vista empresarial. Em meu entendimento, para que uma atividade seja sustentável ela tem que, obrigatoriamente, ser rentável, atraindo o empreendimento privado e deixando cada vez mais a dependência do poder público. É interessante observar, neste sentido, como a possibilidade de se auferir lucro fez com que fossem reciclados diversos resíduos, anteriormente destinados  a lixões ou mesmo à sua deposição no meio ambiente. O lucro da reciclagem foi essencial neste processo, criando empresas, empregos e renda no segmento. Entretanto, ressalta-se que outras possibilidades de aproveitamento dos RSU’s – Resíduos Sólidos Urbanos são possíveis, gerando lucro, emprego e sustentabilidade.
De acordo com dados do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a produção mundial de lixo deve se aproximar de 2,2 bilhões de toneladas em 2025, um aumento de 69,23% em relação ao 1,3 bilhão de toneladas atual. Esta majoração será decorrente, de acordo com os dados da ONU – Organização das Nações Unidas, do maior número de pessoas inseridas na classe média no mundo, que se aproximará dos 5 bilhões, ampliando os padrões atuais de consumo e geração de resíduos.
No Brasil, segundo dados do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, elaborado pela ABRELPE – Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais os RSU’s – Resíduos Sólidos Urbanos gerados em 2016 foram da ordem de 78,3 milhões de toneladas, um decréscimo de 2% em relação ao ano anterior, fruto do próprio encolhimento da economia nacional. Neste mesmo ano foram coletados cerca de 71,3 bilhões de toneladas, representando 91,03% de resíduos gerados no país.
Dados elaborados pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e pela ABRELPE indicam que somente 58,4% destes resíduos foram enviados para aterros sanitários. Dos 5.570 municípios brasileiros (IBGE, 2016), 3.331 (59,80%) não dispuseram adequadamente seus resíduos sólidos, enviando cerca de 29,7 milhões de toneladas de resíduos para lixões, o que representa 41,65% de todo o lixo coletado em 2016.
O ano de 2016 apresentou uma queda de 2% na geração de RSU’s em relação ao  ano anterior, caindo de uma média de 218.874 toneladas/dia para 214.405 toneladas/dia. Segundo dados do IBGE, estes valores representavam, respectivamente, 1,071 Kg por habitante/dia em 2015 e 1,040 Kg por habitante/dia em 2016. A coleta seletiva de lixo é feita por 87,2% dos municípios da Região Sudeste; a Região Centro Oeste, entretanto, possui apenas 43,3% de seus municípios com coleta seletiva de lixo.
No Brasil, em 2015, haviam 353.426 pessoas empregadas nas atividades de limpeza urbana, sendo 57,56% na iniciativa privada e 42,43% pertencentes ao setor público. Este número total caiu em 2016 para 335.669 pessoas empregadas nas atividades de limpeza urbana no país, uma queda de 5,02%. A Região Sudeste ocupou a maior parte destes postos de trabalho, cerca de 43,60%.

No total, o mercado de limpeza urbana no Brasil alcançou R$ 27,347 bilhões em 2016, sendo 54,51% referentes à Região Sudeste. Estes valores são computados como custos para as administrações públicas, especialmente as municipais, que são diretamente responsáveis pela limpeza urbana. Entretanto, há outras formas de se solucionar a disposição dos RSU’s e ainda gerar empregos, renda e energia.
As usinas de geração de energia a partir de RSU’s são uma solução neste sentido. Em função de seu alto custo de processamento foram implantadas inicialmente em países desenvolvidos, o que ocorre também em função da característica do RSU destes países. De acordo com a EPE – Empresa de Pesquisa em Energia, vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a baixa porcentagem de matéria orgânica no RSU é favorável à sua transformação em energia em função do baixo Poder Calorífico (PC) deste tipo de resíduo.

Fonte: CEMPRE – Compromisso Empresarial para a Reciclagem.

O PC – Poder Calorífico de um material é a energia liberada por sua combustão, variando em função de sua umidade. É dividido em PCS – Poder Calorífico Superior e PCI -  Poder Calorífico Inferior. O PCS considera que a água contida no material a ser queimado não evapora no seu processo de combustão, o PCI, ao contrário, considera sua evaporação. Para que a água evapore é necessária energia, o que justifica o valos do PCS sempre ser maior que o PCI. A borracha, por exemplo, de acordo com a EPE, possui um PCI de 6.780 Kcal / Kg, superior aos alimentos (matéria orgânica), cujo PCI é de 1.310 Kcal / Kg.
Como no Brasil a porcentagem média de matéria orgânica nos RSU’s é de aproximadamente 50%, segundo dados da CEMPRE, seu PCI é pequeno. Em países desenvolvidos este percentual de matéria orgânica no RSU é muito mais baixo, nos Estados Unidos é de 12% e na França 23%, aumentando o PCI de seus resíduos.
No Japão e na Europa são pagos, como TDF- Taxa de Destinação Final, o equivalente à R$ 250,00 por tonelada de RSU para as empresas que lhes dão adequado destino; no Brasil este valor é de aproximadamente R$ 6,00 por tonelada de RSU. Este valor da TDF viabiliza o processo de combustão e filtragem de gases, que são extremamente complexos.
Para minimizar estes custos criou-se o CCO – Ciclo Combinado Otimizado, onde associa-se a queima do RSU à utilização de gases emanados dos aterros sanitários ou mesmo gás natural.
Já instaladas no Brasil, estas usinas podem obter renda a partir da coleta do RSU, da venda do crédito de carbono e da venda da energia elétrica gerada em suas dependências a partir da utilização do gás metano, oriundo da decomposição do lixo. Em São Paulo, por exemplo, funciona uma usina que produz, por este processo, energia suficiente para suprir a necessidade de uma cidade de 400.000 habitantes.

10 de out. de 2017

MAPA DE CIRCULAÇÃO DOS VENTOS (GLOBAL E LOCAL)

O site https://earth.nullschool.net/ apresenta uma ferramenta interessante para o monitoramento dos ventos em tempo real, em nível global e local. Sua visualização é semelhante à do Google Earth e seu uso é bastante simples.


Ao entrar no site o usuário já terá uma visão global em tempo real. Com o botão esquerdo do mouse pode-se girar o Globo e o botão de rolagem do mouse serve para ampliar a imagem. Com estes recursos é possível situar no mapa a localidade desejada, com um clique no ponto encontrado surge uma legenda onde estão disponíveis suas coordenadas geográficas, sua temperatura em graus Fahrenheit e a velocidade do vento. A direção é possível ver no próprio mapa. No site abaixo há uma tabela contendo os valores convertidos: http://www.pucsp.br/~jarakaki/ProgWeb/ex_tabelaCF.php , contudo, o cálculo para a conversão é:

Fahrenheit            Celsius = (ºF-32) / 1,8 == (68º F-32)/1,8 = 20º C
Celsius           Fahrenheit = (ºC*1,8) + 32 == (20ºC*1,8) + 32 = 68º F 



9 de out. de 2017

AGRONEGÓCIO GARANTE A PRESERVAÇÃO FLORESTAL NO BRASIL E TAMBÉM NO ESTADO DE MATO GROSSO.

O Brasil é reconhecido globalmente como um dos principais produtores de alimentos, fibras e agroenergia do mundo. Entretanto, também é caracterizado como um país com altos índices de desmatamento. Entretanto, pesquisa da Embrapa, que compilou dados do CAR – Cadastro Ambiental Rural levantados em mais de 410 milhões de hectares, aponta que a agricultura brasileira contribui efetivamente para a preservação das florestas no país. (https://www.cnpm.embrapa.br/projetos/car/)
Segundo os dados da pesquisa, o Brasil é também um dos mais efetivos na preservação ambiental. De acordo com o GITE – Grupo de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa, 66% do território nacional ainda estão ocupados com vegetação nativa, sendo que a maior contribuição para a manutenção desta área preservada é dos produtores rurais, que mantém cerca de 176.806.937 hectares preservado dentro de suas propriedades, equivalente a 20,5% do território nacional. Ressalta-se que este percentual tende a aumentar, pois a pesquisa ainda não recebeu os dados territoriais do Espírito Santo e de Mato Grosso do Sul.

Como parâmetro comparativo, a soma de todas as unidades de conservação cadastradas no CNUC – Cadastro Nacional de Unidades de Conservação do MMA – Ministério do Meio Ambiente resulta em 1.585.778 Km² divididos em: 546.292 Km² = Áreas de Proteção Integral e 1.039.486 Km² = Áreas de Uso Sustentável, esta área significa 18,62% do território nacional, ou seja, inferior à área preservada dentro das propriedades rurais.

Neste contexto, de acordo com a pesquisa da Embrapa, também apresenta mais áreas protegidas dentro das propriedades rurais do que em Unidades de Conservação (UC) e Terras Indígenas (TI) somadas. Os dados apresentados pela Embrapa apontam que 19% do território de Mato Grosso, são preservados em áreas protegidas como as UC’s e as TI’s, deste modo, dos 90.319.809,1 hectares do estado, cerca de 17.160.763,73 hectares estão preservados nestas áreas.


Entretanto, segundo aponta a Embrapa, 29,4% da área estadual se mantém preservada no interior das propriedades rurais em função de reservas legais e APP’s, o que é equivalente a 26.554.023,9 hectares, aproximadamente 54,73% superior às áreas protegidas. Se forem computadas, ainda dentro das propriedades rurais, as áreas de vegetação excedente e adjacentes a corpos hídricos, este percentual de áreas preservadas dentro de propriedades rurais pode atingir aproximadamente 36%, ou 32.515.131,3 hectares, podendo representar então cerca de 89,47% a mais que as áreas protegidas em UC’s e TI’s no estado.


HORTA & JARDIM

Iniciando uma nova coluna mensal, apresentaremos em cada edição diversos temas relativos à horticultura e jardinagem. O espaço é dedicado não só à horticultura comercial, mas principalmente à hortas urbanas e domésticas, tendência que, já ocorrendo em pequenos centros urbanos, cresce exponencialmente nos médios e grandes centros.

Considero dois pontos relevantes neste início: o primeiro, é que a diversidade é fundamental para o sucesso de uma horta ou jardim, quer seja pela oferta de alimentos diversificados, pela beleza de espécies e cores diferentes ou mesmo para o controle de pragas.
 O segundo ponto, extremamente importante, é que toda horta ou jardim, para ter qualidade, deve começar por um bom preparo de solo, considerando que cada espécie necessita de uma característica de solo diferente.


É também essencial que sejam consideradas as características locais, principalmente as relacionadas às condições climáticas: ventilação, luz solar, albedo (calor emanado do solo {e paredes}). Em hortas comerciais é essencial o uso de quebra ventos e pode haver também a proteção de estufas, que entretanto tornam seu custo mais alto. Hortas e jardins urbanos e domésticos podem utilizar diretamente o solo ou ser plantados em vasos, latas, tambores, caixas de madeira, materiais de aproveitamentos diversos, etc. Abaixo serão dados exemplos destas possibilidades e no próximo mês será iniciado o trabalho pela formação do solo adequado e compostagem.





24 de ago. de 2017

AVANÇOS CIENTÍFICOS E TECNOLÓGICOS EVITAM O DESMATAMENTO E GARANTEM A SEGURANÇA ALIMENTAR.

Até a década de 1970, o aumento da produção agrícola brasileira ocorria exclusivamente em função do aumento de área cultivada, sendo limitada por sua baixa produtividade. A partir de meados da década de 1970 a agricultura brasileira iniciou sua trajetória ascendente, especialmente fundamentada em investimentos em ciência e tecnologia, amplamente incorporadas à produção.
Houve sim expansão de áreas agrícolas, principalmente no Cerrado brasileiro, a partir do fim da década de 1970 e, atualmente, na região do MATOPIBA; entretanto, esta expansão foi precedida do desenvolvimento de tecnologias que permitiram o plantio em seu solo, especialmente a correção de acidez e o uso de sementes cientificamente elaboradas para a região.
Há um crescente desafio para a produção agropecuária, que é atender a crescente demanda por fibras, energia, alimentos e demais matérias primas, para uma população que se projeta em cerca de 9,7 bilhões em 2050 e ainda, com equilíbrio e sustentabilidade ambiental.
O enfrentamento deste desafio só é possível a partir de maciços investimentos em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias; necessário, ainda, que este conhecimento chegue ao produtor, de todos os portes. O produtor e os demais elos da cadeia do Agronegócio, devem estar aptos a se manter em um mercado cada vez mais complexo e com demandas mas intensas qualitativa e quantitativamente.
De acordo com o documento Visão 2014 – 2034 O Futuro do Desenvolvimento Tecnológico da Agricultura Brasileira, elaborado pela EMBRAPA (AGROPENSA, 2013), existem determinados eixos temáticos sobre os quais a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico devem se fundamentar: novas ciências (biotecnologia, geotecnologia e nanotecnologia); agricultura de precisão, tecnologia da informação (big data) e automação; recursos naturais, mudanças climáticas e agrometeorologia; segurança zoofitossanitária das cadeias produtivas; segurança dos alimentos, da nutrição e da saúde;  tecnologia agroindustrial, da química verde e da biomassa; sistemas de produção, mercados, políticas e desenvolvimento rural. Essência da economia nacional, estas são as bases da sustentabilidade do Agronegócio brasileiro.

Efetivamente, os avanços tecnológicos e científicos se contrapuseram à tese Malthusiana de que a produção mundial de alimentos crescia em Progressão Aritmética enquanto a população aumentava em Progressão Geométrica e que, em função desta discrepância, haveria escassez de alimentos. Também contrapôs as teses ambientalistas de que, para que houvesse aumento substancial de produção mais áreas deveriam ser desmatadas.
Definitivamente, entendam, esta não é uma tese da “bancada ruralista”, considerando-me um “ambientalista produtivo” acredito fundamentalmente na produção e nos benefícios que ela traz à sociedade (alimentos; empregos; infraestrutura; desenvolvimento econômico, social, tecnológico, científico e cultural; divisas com exportação).
Entretanto, tenho também a crença essencial de que o alicerce da vida na Terra é o meio ambiente e que suas alterações e desequilíbrio colocam em xeque não só a produção agropecuária e industrial, por serem intrinsecamente dependentes dos recursos naturais, mas a própria vida humana, como a conhecemos. Sou veemente defensor da interdependência meio ambiente / agropecuária, não se produz na agropecuária sem o uso dos recursos naturais, em maior ou menor intensidade, não se mantém esta produção sem a sustentabilidade ambiental.
É nesse caminho que segue a moderna agropecuária brasileira, sistemas de produção integrados, sustentabilidade, redução de emissões, sistemas de qualidade e gestão ambiental, entre diversas outras iniciativas que demonstram o cada vez mais consolidado respeito ao meio ambiente. É importante observar os dados estatísticos disponíveis, que demonstram efetiva e claramente que o aumento da produtividade foi o maior responsável pelo incremento na produção e esta produtividade está diretamente relacionada aos avanços científicos e tecnológicos envolvendo: novos maquinários mais potentes; agrotóxicos mais eficientes; fertilizantes mais eficazes; sistemas de produção, armazenamento e comercialização melhores administrados; bancos de dados gerando informações precisas fundamentando todo o processo produtivo; melhoramentos genéticos.
Esta tese é compartilhada também por Nicholas Vidal, em seu livro “Agradeça aos Agrotóxicos por Estar Vivo” este livro, na verdade é um destruidor de mitos, especialmente os alarmistas, com sólidos fundamentos em estatísticas oficiais e já exaustivamente debatidas e aceitas como verdadeiras. Sua teoria central, também a minha, é que o aumento da produtividade evitou não só a fome, contrariando as teorias de Malthus, mas também a derrubada de muitas florestas. E esta produtividade só foi alcançada a partir de uma intensa incorporação de tecnologia ao campo, resultante de um ambiente de excelência na ciência, como o é, quando se trata do segmento do Agronegócio, um dos mais dinâmicos do mundo, em função de contínuos investimentos públicos e privados no setor e de sua necessiade estratégica para a humanidade.
Vejamos os números: de acordo com os dados do IBGE, a área colhida de grãos no Brasil em 1975 era de 32.878.017 hectares, representando 3,86% do território nacional (considerando a área atual); em 2017, esta área passou a ocupar 61.122.704 hectares, ou 7,18% da superfície brasileira. Um incremento de 85,68% na área colhida de grãos no país. No mesmo período, a produção passou de 39.442.067 toneladas para 242.082.569 toneladas, uma majoração de 513,77%. Deste modo: em  1975, a produtividade média da produção de grãos era de 1.200 toneladas por hectare; em 2017, esta produtividade alcançou 3.961 toneladas por hectare, um aumento de 230,15%.




5 de jul. de 2017

AGRONEGÓCIO GARANTE A PRESERVAÇÃO FLORESTAL NO BRASIL E TAMBÉM NO ESTADO DE MATO GROSSO.

O Brasil é reconhecido globalmente como um dos principais produtores de alimentos, fibras e agroenergia do mundo. Entretanto, também é caracterizado como um país com altos índices de desmatamento. Entretanto, pesquisa da Embrapa, que compilou dados do CAR – Cadastro Ambiental Rural levantados em mais de 410 milhões de hectares, aponta que a agricultura brasileira contribui efetivamente para a preservação das florestas no país. (https://www.cnpm.embrapa.br/projetos/car/)
Segundo os dados da pesquisa, o Brasil é também um dos mais efetivos na preservação ambiental. De acordo com o GITE – Grupo de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa, 66% do território nacional ainda estão ocupados com vegetação nativa, sendo que a maior contribuição para a manutenção desta área preservada é dos produtores rurais, que mantém cerca de 176.806.937 hectares preservado dentro de suas propriedades, equivalente a 20,5% do território nacional. Ressalta-se que este percentual tende a aumentar, pois a pesquisa ainda não recebeu os dados territoriais do Espírito Santo e de Mato Grosso do Sul.

 Como parâmetro comparativo, a soma de todas as unidades de conservação cadastradas no CNUC – Cadastro Nacional de Unidades de Conservação do MMA – Ministério do Meio Ambiente resulta em 1.585.778 Km² divididos em: 546.292 Km² = Áreas de Proteção Integral e 1.039.486 Km² = Áreas de Uso Sustentável, esta área significa 18,62% do território nacional, ou seja, inferior à área preservada dentro das propriedades rurais.
Neste contexto, de acordo com a pesquisa da Embrapa, também apresenta mais áreas protegidas dentro das propriedades rurais do que em Unidades de Conservação (UC) e Terras Indígenas (TI) somadas. Os dados apresentados pela Embrapa apontam que 19% do território de Mato Grosso, são preservados em áreas protegidas como as UC’s e as TI’s, deste modo, dos 90.319.809,1 hectares do estado, cerca de 17.160.763,73 hectares estão preservados nestas áreas.
Entretanto, segundo aponta a Embrapa, 29,4% da área estadual se mantém preservada no interior das propriedades rurais em função de reservas legais e APP’s, o que é equivalente a 26.554.023,9 hectares, aproximadamente 54,73% superior às áreas protegidas. Se forem computadas, ainda dentro das propriedades rurais, as áreas de vegetação excedente e adjacentes a corpos hídricos, este percentual de áreas preservadas dentro de propriedades rurais pode atingir aproximadamente 36%, ou 32.515.131,3 hectares, podendo representar então cerca de 89,47% a mais que as áreas protegidas em UC’s e TI’s no estado.




23 de mai. de 2017

AGRICULTURA EMPRESARIAL / AGRICULTURA FAMILIAR – O AGRO DEVE SER UM SÓ.

Não vejo o Agronegócio segregado entre grandes e pequenos produtores, não entendo esta rivalidade do NÓS e ELES, agricultores familiares e grandes empresários rurais, assentamentos e agroindústria. O Agronegócio é um só, variando em escala, intensidade, modos de gestão e produção, volume do investimento, educação e qualificação de seus empregados e empregadores, destinação de produtos e necessidade de insumos. Não consigo entender que haja “duas agriculturas”, a “do bem e a do mal”. Entendo sim, o AGRO brasileiro, como o conjunto de todas estas atividades, de cunho familiar ou empresarial, latifúndio ou minifúndio, produzindo commodities ou hortaliças, empresa familiar, assentamento regularizado ou grande conglomerado agropecuário ou agroindustrial; tudo é AGRO..., este segmento, onde  pluralidade é a justificativa para injustificados antagonismos, em conjunto, é responsável por um crescimento de 4,48%, entre janeiro e dezembro de 2016, segundo o CEPEA – Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP. Este resultado foi obtido pelo conjunto das atividades do AGRO brasileiro, pequenas propriedades familiares, lotes de assentamentos, agroindústrias, grandes propriedades monocultoras.
A agricultura empresarial é responsável pelo maior superávit na balança comercial brasileira (2016); por gerar divisas para o país; por transformar o campo em um grande parque tecnológico, com inimagináveis avanços científicos; possibilita o acesso da população às carnes, o que seria inviável financeiramente se não fossem as rações derivadas de subprodutos da soja, principalmente, e do milho, produzidos em larga escala, com alto nível de tecnificação; gera energia sustentável, fibras, alimentos diversos; emprega mão de obra extremamente qualificada, remunerada acima da média dos grandes centros; fomenta a inovação tecnológica em diversas áreas do conhecimento, da mecânica à biotecnologia. No mesmo lado, mas atuando de outra forma, a agricultura familiar é responsável, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário (2015), por mais de 70% dos alimentos consumidos no Brasil, garantindo a segurança alimentar da nação; mantendo famílias no campo e gerando diversos empregos diretos.
Neste sentido, segundo a ONU, enfatiza-se que o Brasil é um país com uma das maiores mobilidades sociais rurais do mundo, cabendo destacar, principalmente em nome da integração harmoniosa entre a agricultura empresarial e a familiar, que boa parte daqueles que hoje são grandes empresarios rurais e agroindustriais foram pequenos agricultores familiares que migraram do Sul do país na década de 1970, enfrentando inicialmente dificílimas condições de vida e trabalho no Centro Oeste, abrindo novas fronteiras agrícolas e ganhando escala de produção. Estes migrantes foram os responsáveis pela construção de estradas, pontes, armazéns, hospitais e até cidades. Desenvolveram uma região do país que até então era totalmente desprovida de infraestrutura e desenvolvimento. Hoje, a Região Centro Oeste produz aproximadamente 99,08 milhões de toneladas de grãos (IBGE 2017), representando cerca de 43% da safra nacional, abrigando ainda o maior rebanho bovino do país. É uma região onde se pratica uma agricultura com alto nível de tecnologia e cada vez mais sustentabilidade. Assim, não há antagonismo entre os modos de gestão e produção, há mobilidade, inovação, investimento, educação, qualificação e aplicação de tecnologia. O que importa não é o tamanho da propriedade, mas sua gestão.