Mostrando postagens com marcador Horta & Jardim. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Horta & Jardim. Mostrar todas as postagens

23 de fev. de 2019

MICROVERDES – Novos produtos para a alimentação


Microverdes são as hortaliças folhosas que se desenvolvem entre 7 e 21 dias após o plantio e que já foram além da fase do broto e não se formaram como baby leafs, sua fase ideal de colheita é quando já apresentam as folhas cotilédones desenvolvidas. Além de possuírem um aspecto atraente para a composição de pratos mais sofisticados, os Microverdes têm sabor mais delicado e  possuem mais nutrientes que a planta desenvolvida. Estudos realizados com alguns produtos Microverdes atestaram que suas concentrações de nutrientes podem ser de até 40 vezes mais que a folha adulta.

As pesquisas demonstram que estes nutrientes estão presentes em maior quantidade em função das concentrações de bioativos(vitaminas, minerais e antioxidantes). Uma de suas principais qualidades, além de seus nutrientes em maior quantidade, é sua atratividade para crianças.
Os Microverdes surgem também como um novo mercado para horticultores, junto com uma maior demanda por alimentos mais saudáveis e que sejam produzidos com menor impacto ambiental, em função de novos métodos de produção que preconizam a sustentabilidade.
Seu público consumidor é geralmente de maior poder aquisitivo, que considera essencial uma alimentação mais equilibrada e investe em qualidade, sendo também mais exigente. Desta forma, é uma boa opção de investimento  com uma excelente relação custo/benefício. Dados do SEBRAE apontam que o segmento de alimentos saudáveis teve um crescimento de 98% entre 2009 e 2014.
Uma vantagem para o agricultor que fizer a opção de produzir Microverdes é o pequeno espaço necessário à sua produção, seu ciclo curto e o alto valor agregado do produto, aumentando sua rentabilidade por área ocupada. Podem também se adaptar facilmente à diferenciados sistemas de produção: hidropônico, orgânico ou convencional, contanto que estejam isentos de produtos químicos.
Os Microverdes podem também ser cultivados em ambientes urbanos e em estufas de pequeno porte, com estruturas verticais, o que propicia a produção em locais próximos aos centros consumidores e reduz substancialmente as perdas durante o transporte. Outro ponto importante, neste sentido, é que pode ser comercializado ainda plantado em seu substrato, em pequenas bandejas, o que reduz efetivamente a perda de nutrientes. Como opção de comercialização pode também ser embalado em um mixde folhas Microverdes.
Há muito mercado à conquistar: de acordo com uma pesquisa nacional realizada pelo SEBRAE, apenas 6% das empresas do ramo estão no segmento de alimentação saudável e diferenciada,destas: 56% atuam com alimentação orgânica, 18% saladas especiais, 6% alimentação vegetariana e 6% em alimentação saudável para crianças.
A produção de Microverdes apresenta bom potencial para pequenos produtores, aqueles que tenham pouca oferta de água em sua propriedade, os que queiram diversificar sua produção ou, ainda, que se interessa por um mercado crescente e com boas possibilidades de retorno sobre o capital investido.

2 de abr. de 2018

HORTA E JARDIM: COMO PRODUZIR SOLO DE QUALIDADE / COMPOSTAGEM

A essência de um jardim ou de uma horta é a qualidade de seu solo. Não importa seu tamanho, local de implantação ou finalidade, tanto faz que seja um pequeno vaso com um tempero plantado em um apartamento ou em uma grande plantação comercial. O que vai fazer a diferença é a qualidade de seu solo. E este é um dos grandes prazeres da jardinagem/horticultura: preparar o solo. Gosto muito do prazer de pegar um solo estéril, sem vida, e transformá-lo em solo fértil, rico em vida, através da incorporação de matéria orgânica de origem vegetal somente, especialmente a serapilheira (camada superficial de solo de florestas e bosques), nela estão contidos diversos macro e microrganismos que favorecem a decomposição da matéria orgânica, fazendo com que esta se transforme em minerais, absorvidos pelas plantas como seus nutrientes.

Acredito que um dos fatores mais importantes, especialmente para plantios domésticos (ervas, verduras, temperos), é a pureza do solo. Mesmo em escala comercial, sua pureza é essencial para a qualidade do alimento que consumimos. Ele deve estar livre de patogênicos e para isso é inadequado o uso de estercos de qualquer natureza. Um solo de excelente qualidade pode ser produzido apenas com restos vegetais, de diferentes modos e em diversas escalas, tanto em um pequeno apartamento quanto em uma casa, sítio ou fazenda.
Para se ter um solo de qualidade, com riqueza de nutrientes é necessário realizar um processo denominado compostagem, este processo é muito simples, na verdade é a reprodução do processo natural de decomposição de restos vegetais. Pense naquela folha caindo de uma árvore e pousando ao solo, com a ação do tempo, do ar, da chuva e dos macro e microrganismos ela irá se decompor, transformando-se em nutrientes para as plantas, possivelmente até para a própria planta ou árvore de onde ela saiu. Assim é a compostagem. O processo de compostagem será sempre o mesmo, não importa a escala, apenas você terá mais ou menos composto pronto em função de seu espaço disponível. O processo é bem simples e vou dividi-lo em duas formas possíveis, em recipientes ou em área aberta:

Compostagem em recipientes de qualquer tamanho:

> Separe um recipiente, que pode ser desde uma garrafa PET a até um tambor grande, caixa d’água usada, baldes, etc... depende do material que houver disponível.


> Faça um furo pequeno para o escorrimento do chorume na parte inferior do recipiente e furos laterais para a aeração do material compostado.

> Coloque uma camada de terra no recipiente de maneira que o fundo fique totalmente preenchido com uma camada de aproximadamente três centímetros de terra.

> Junte restos vegetais e de alimentos que não contenham sal (não servem os restos dos pratos após as refeições e nem carnes de nenhuma espécie), podem ser utilizadas (cascas de frutas, borra de café, restos de verduras, folhas de árvores e plantas). Este material deve ser picado ou triturado, quanto menor for o seu tamanho mais rápido e melhor será o processo de compostagem.


O material, após compostado, deverá ficar com a aparência da terra da imagem acima, Na imagem ao lado demonstro como é possível se fazer compostagem até mesmo em garrafas PET, com a coleta do chorume. Importante ressaltar que este chorume pode e dever ser aproveitado para fertilização do solo, entretanto, aconselho diluir este líquido em uma proporção de 1 para 10 em água. Enfatizo que é extremamente importante que os resíduos utilizados na compostagem em recipientes sejam cortados ou triturados no menor tamanho possível, garantindo a rapidez do processo e a qualidade do composto.

Após estar pronto, este composto (com terra já incorporada) pode ser utilizado para plantar diretamente nele, ou para ser misturado com outras terras, aumentando seu volume, ou ainda ser incorporado em terras já utilizadas, melhorando sua fertilidade e condições físicas e biológicas.

Compostagem em áreas abertas:
> O processo é bastante semelhante ao anterior. Junte restos vegetais e de alimentos que não contenham sal (não servem os restos dos pratos após as refeições e nem carnes de nenhuma espécie), podem ser utilizadas (cascas de frutas, borra de café, restos de verduras, folhas de árvores e plantas). Em casas, sítios e fazendas o volume é maior, especialmente restos de capina e folhas de árvores. Este material deve ser picado ou triturado, quanto menor for o seu tamanho mais rápido e melhor será o processo de compostagem.
Quando há espaço, são diversas as possibilidades de se processar a compostagem (grandes cercados de madeira ou tela fina, box de alvenaria, sem contenção lateral, em buracos, etc...), o importante é que o processo deve ser o mesmo, alternando-se camadas de terra, com restos vegetais; em áreas abertas, com grande disponibilidade de folhas secas, capim seco e todo resto vegetal castanho (rico em carbono), pode-se proceder à compostagem sem terra nas camadas, utilizando-se as folhas secas no lugar da camada de terra, só que em maiores proporções.
Coloque uma camada de folhas secas de aproximadamente 0,4 metro e por cima uma camada de aproximadamente 15 cm de folhas verdes e restos frescos de vegetais. Podem ser sobrepostas apenas três camadas completas (material seco + material fresco) de maneira que a pilha fique com no máximo aproximadamente 1,65 metro de altura x 1,5 metro de largura x 10 metros de comprimento. Observa-se que estas são as dimensões máximas para cada pilha de compostagem, podendo ser menores em função da disponibilidade dos materiais ou ser mais de uma pilha quando houver material em abundância.
Umedeça levemente cada camada e após a montagem total das camadas umedeça levemente o material a cada semana no primeiro mês e a cada quinze dias nos dois meses seguintes, quando deverá estar pronto o composto.
O ideal é que o material seja revirado ou remexido a cada quinze dias para a aeração do composto.
É importante que o local seja sombreado e livre da chuva.

9 de out. de 2017

HORTA & JARDIM

Iniciando uma nova coluna mensal, apresentaremos em cada edição diversos temas relativos à horticultura e jardinagem. O espaço é dedicado não só à horticultura comercial, mas principalmente à hortas urbanas e domésticas, tendência que, já ocorrendo em pequenos centros urbanos, cresce exponencialmente nos médios e grandes centros.

Considero dois pontos relevantes neste início: o primeiro, é que a diversidade é fundamental para o sucesso de uma horta ou jardim, quer seja pela oferta de alimentos diversificados, pela beleza de espécies e cores diferentes ou mesmo para o controle de pragas.
 O segundo ponto, extremamente importante, é que toda horta ou jardim, para ter qualidade, deve começar por um bom preparo de solo, considerando que cada espécie necessita de uma característica de solo diferente.


É também essencial que sejam consideradas as características locais, principalmente as relacionadas às condições climáticas: ventilação, luz solar, albedo (calor emanado do solo {e paredes}). Em hortas comerciais é essencial o uso de quebra ventos e pode haver também a proteção de estufas, que entretanto tornam seu custo mais alto. Hortas e jardins urbanos e domésticos podem utilizar diretamente o solo ou ser plantados em vasos, latas, tambores, caixas de madeira, materiais de aproveitamentos diversos, etc. Abaixo serão dados exemplos destas possibilidades e no próximo mês será iniciado o trabalho pela formação do solo adequado e compostagem.